Quem mora entre Boa Viagem e Piedade já convive com escavação, caminhão de bomba e placa de desvio há meses. A ampliação do sistema de drenagem na Zona Sul do Recife entrou em junho na fase mais incômoda: ruas estreitas com tráfego dividido, obra noturna em trechos críticos e prazo oficial empurrado de julho para setembro em pelo menos dois segmentos.
A Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) atribui o atraso a solo arenoso e à necessidade de reforçar galerias construídas nas décadas de 1970 e 1980, incompatíveis com o volume de água das chuvas intensas dos últimos anos. Para o morador, a explicação técnica importa menos do que saber qual rua fecha amanhã e quanto tempo a caminhada até o ponto de ônibus vai aumentar.
Onde a obra está ativa agora
Em 10 de junho, três frentes concentravam equipamentos e equipes:
- Rua Setúbal (trecho entre Rua Padre Carapuceiro e Rua Joaquim Nabuco): escavação para nova galeria de 1,2 metro de diâmetro. Tráfego de veículos leves permitido em horário alternado; caminhões e vans de carga desviados pela Rua Engenheiro Domingos Ferreira.
- Avenida Boa Viagem (próximo ao número 1800): manutenção de boca de lobo e ligação com coletor subterrâneo. Faixa da orla reduzida em 40 metros; ciclovia interrompida neste trecho.
- Rua Doutor José Maria de Miranda (Piedade): fase de recomposição de asfalto prevista para iniciar em julho, mas dependente da conclusão da ligação com rede existente.
A Compesa mantém página de acompanhamento no site institucional, mas o mapa interativo — prometido desde abril — ainda não foi publicado. Moradores consultam grupos de WhatsApp de condomínio e o perfil da regional da Zona Sul na prefeitura, onde atualizações aparecem com defasagem de dois a cinco dias.
Na prática, você descobre o desvio quando o Uber não consegue chegar na porta do prédio — não quando a prefeitura publica o aviso.
Impacto na rotina
Conversamos com doze moradores e quatro lojistas entre 5 e 9 de junho. O padrão mais citado foi aumento de 8 a 15 minutos no deslocamento a pé até avenidas principais. Quem trabalha no Centro do Recife e pega ônibus na Boa Viagem relatou filas maiores nos pontos deslocados — especialmente no horário das 7h às 8h30.
Comércio de rua sofre de outro jeito. Uma papelaria na Setúbal estimou queda de 25% no movimento desde que a calçada em frente ao estabelecimento virou canteiro. O proprietário disse que não recebeu comunicação formal sobre compensação ou apoio para sinalização alternativa.
Obra noturna — autorizada em trechos onde a Compesa alega risco de alagamento se a escavação parar durante chuva — gerou reclamações em condomínios da orla. A empresa informou que o turno estendido segue até 23h em dias úteis, com limite de ruído monitorado por fiscal, mas moradores do Edifício Atlântico relataram vibração perceptível até meia-noite em duas noites da semana passada.
Prazos e o que esperar até setembro
O cronograma revisado prevê:
- Conclusão da galeria na Setúbal: final de agosto.
- Recomposição de pavimento na Doutor José Maria de Miranda: primeira quinzena de setembro.
- Entrega integral do trecho Boa Viagem 1800: ainda sem data fechada; Compesa cita "dependência de estudo geotécnico complementar".
Para quem precisa planejar, três referências ajudam: o telefone da ouvidoria da Compesa (0800 081 0195), o canal @zonasulrecife nas redes da prefeitura e o boletim semanal que esta redação atualiza quando há mudança de prazo confirmada.
O que ainda não está claro
A prefeitura do Recife e a Compesa divergem sobre responsabilidade pela recomposição de calçadas danificadas por equipamentos pesados em frente a edifícios residenciais. Até o fechamento desta reportagem, nenhum dos órgãos enviou resposta unificada sobre critérios de ressarcimento a condomínios.
Seguiremos acompanhando as frentes de obra e atualizaremos este texto quando novos prazos forem publicados oficialmente. Se você mora na região e tem informação verificável que ainda não consta aqui, escreva para [email protected].